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JACKIE – Reconstruindo a (própria) história

O filme do chileno Pablo Larrain é uma refeição completa, mas precisa ser degustada devagar. Seus sabores vão se revelando aos poucos, especialmente para quem conhece os ingredientes de que são feitos.

Se o prato principal é o manjadíssimo assassinato de John Kennedy, todos os temperos e essências ficam com Jackie,  interpretada pela atriz indicada ao Oscar, Natalie Portman.

É preciso estar com o paladar afiado para saborear todos os contrastes que o filme revela em cada cena. Mas a pièce de résistance é servida quando, através da televisão, Jackie mostra os aposentos da Casa Branca ao grande público. Naquele momento, definitivamente, público e privado se fundem no imaginário de um povo inteiro.

Jacqueline Kennedy in the Red Room, following her restoration of the mansion. (CNN)

Embora ainda fosse o início dos anos 60, Jackie e John Kennedy formaram um casal tão icônico e midiático que facilmente começaram a ser percebidos como uma espécie de versão yankee das realezas europeias.

Porém, as alternâncias entre o público e o privado dominam de tal forma o filme que quase não resta espaço para o grande drama pessoal de Jackie.

Quando aquela bala atravessou o crânio de John Kennedy e espalhou seu cérebro pelo capot do Lincoln Continental 1961, todos os sonhos de Jackie também se despedaçaram.

Diz-se que uma separação é como a perda de alguém muito próximo. Mas, e quando a separação é a própria perda?

Um segundo antes da bala atingir seu alvo, Jackie era casada com o homem mais poderoso do mundo. Com ele vivia uma espécie de conto de fadas. No seguinte, era apenas a ex-primeira dama, viúva, mãe de duas crianças pequenas e literalmente, sem nenhum papel a desempenhar.

No entanto, foi aqui que resolveu ser protagonista da própria tragédia, assumiu a narrativa dos fatos e redesenhou sua própria história.

Jackie se deu conta de que era observada pelo mundo inteiro e fez, então, um ruidoso silêncio.

Até hoje, as imagens do funeral são de arrepiar.

Tirando a pompa e a circunstância, a história de John e Jackie é mais uma triste história de separação.

Lembra do ”até que a morte os separe”? Pois é…

Jackie poderia ter se esgueirado pelas sombras da história e ter caído no mais completo esquecimento. Mas escolheu outro caminho. Escolheu ter luz própria. E acendeu.

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4 comentários

  1. Avatar

    Parabéns,
    Belíssimo trabalho.

    Só posso desejar sucesso e sucesso .

  2. Avatar
    eliana marques almeida

    Sobre o texto JACKIE – RECONSTRUINDO A (PRÓPRIA) HISTÓRIA, escrito por Adalberto Arilha, em 17/03/2017;
    concordo 100% com a opinião do autor.
    J.O., como tbm é conhecida, m parece ser a pessoa pública q realmente soube se reconstruir, reinventar, refazer, renascer.
    Fato, as fotos do funeral do presidente quando mostram a viúva, é possível perceber sua profunda dor e, talvez, a morte d 1 parte sua.
    O mais interessante em toda sua ‘reconstrução’ é 1 vida sem escândalos, oportunismo, sensacionalismo. Motivos por eu admirá-la. Ótima escolha pela personagem Adalberto Arrilha.

    • Avatar
      Adalberto Arilha

      Eliana, muito obrigado pelo comentário, guria! E você observou muito bem: sem escandalos, oportunismo ou sensacionalismo. Puxando pela memória, não me recordo de nenhuma outra figura pública com trajetória semelhante. Bj.

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