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Música lenta no Grêmio e Gordon’s, quem lembra?

Na coluna anterior, falei sobre a moçada dos 20 e poucos anos, e me fez lembrar muito da minha fase da adolescência em Jundiaí e dos meus amigos daquela época.

Nossa diversão se resumia em ir de sábado ao Grêmio e de domingo no Clube Jundiaiense. Nem existia esse lance de apresentar RG na entrada, e a bebida era vendida independente da idade.

Quem não é dessa época, não vai entender o que era uma balada sem DJ. Que comandava o som era o Henrique VIII, que chegava de caminhão para descarregar aquele monte de caixa de som que ocupava o palco inteiro do Grêmio. A hora mais esperada era meia noite, as luzes quase se apagavam e começava a tocar música lenta. Sim, música lenta! Era hora de tirar aquela menina que você tinha ficado a noite inteira trocando olhares e, se ela aceitasse, aí então você era o cara mais pika da turma!

Podia rolar uns beijos ou então parar por ali mesmo, a alegria era a mesma. Chegar numa menina para conversar e tirar para dançar era tipo vencer o medo e quebrar algumas barreiras, a chance de levar um fora era grande. Imagina todo mundo dançando música lenta no Rock in Rio que lindo que não seria? Mal sabem que isso é muito melhor do que beijar 20 numa noite, nada como um cheiro no cangote!

Quando acabava a balada lá pelas 2 da manhã, a gente descia a pé até o Gordon’s, na rua XV de Novembro, o único drive-in da cidade. Sentados naqueles banquinhos de concretos gelados, pedíamos um lanche e um milk shake e ficávamos observando de rabo de olho e corneteando quem saía  com quem de lá de dentro atras dos vidros embaçados dos carros.

Pode parecer anacrônico, mas a virgindade naquela época era uma coisa natural, ou melhor, quase que obrigatório. Esse era o nosso jeito de “stalkear” as meninas que não serviam para namorar.

Eu não acho que na minha adolescência as coisas tinham mais graça, apesar de achar que as conquistas tinham mais valores. As pessoas eram mais anônimas e para conhecer melhor, tinha que chegar junto. Hoje basta entrar no perfil da rede social que você descobre tudo, na maioria das vezes, já perde o encanto logo de cara.

Eu gosto de lembrar dessa fase porque os amigos que curtiram isso comigo, em especial o Alessandro Folgosi e Ricardo Chisi, viraram meus irmãos, que eu sem dúvida levarei para a vida toda.

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