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Ser goleiro: profissão, arte ou paixão?

Ele usa as mãos enquanto o resto do time os pés. Tem uniforme e acessórios diferenciados dos demais. Quem é esse cara tão diferente num jogo de futebol?

Vivi por cerca de 20 anos da minha vida como goleiro e tive grandes experiências nessa posição, o que me deu um grande “know how”l sobre o assunto.

Desde meus 5 anos, vendo meu pai jogar de forma amadora pela equipe da Polícia Militar,  encantei-me com a posição. Em todas as “peladas” de infância a camisa 1 sempre foi uma paixão, o que certamente me fez correr atrás do sonho de ser um jogador de futebol.

Em meio a tantas vivências nessa carreira, ainda tive o privilégio de dividir os gramados com dois dos maiores goleiros da história do futebol brasileiro e mundial: Zetti e Rogério Ceni, ambos parceiros dos tempos de São Paulo F.C.

Mas o que faz um garoto sonhar – e querer ser – um goleiro? Talvez um conjunto de fatores. O primeiro deles por ter uniforme exclusivo, de cores diferentes dos demais atletas. Isso o torna quase único num campo de jogo. Impossível não ter destaque – pelo menos o visual. Depois, as suas características técnicas, muito diferente dos demais atletas. Usa-se muito mais as mãos que os pés, utilizando movimentos altamente treinados e de uma plástica muito específica. Quem nunca admirou um grande salto ou uma arrojada defesa nos pés de um atacante? 

Ser goleiro exige responsabilidade. Qualquer erro significa risco de derrota para seu time e, por isso mesmo, os que ocupam essa posição normalmente aprendem a lidar muito cedo com a pressão. Tornam-se maduros precocemente. O espaço entre o herói e o vilão se dá por milímetros, ou até mesmo segundos. A capacidade de equilíbrio emocional e psicológico desse “profissional” tem que ser  acima dos demais.

Mas o que realmente vale é a paixão pela posição. Quem a escolhe é realmente um apaixonado! Vive intensamente e treina nessa mesma proporção. Porque ser goleiro é treinar exaustivamente buscando a perfeição.  É buscar a melhor defesa, aquela impossível, tentando o inalcançável!

Ao contrário do tempo em que encarei o desafio de buscar meu sonho, hoje em dia é possível ter a ser dispor estrutura capaz de desenvolvê-lo. Há inúmeros materiais esportivos específicos no mercado, o que garante uma boa possibilidade de performance. Além disso, escolas preparatórias de goleiros começam a surgir por todo o Brasil. Destaco a do amigo Zetti, que há 10 anos oferece treinamentos para todos os tipos de goleiros na capital paulista. E olha, são muitos! Cerca de 400 goleiros, entre 6 e 60 anos, treinam na Fechando o Gol.

Recentemente, comemorando o Dia do Goleiro (26 de abril), Zetti reuniu seus alunos e tantos outros profissionais ou ex-profissionais da posição no Centro de Treinamentos do São Paulo F.C. para uma dia de treinamentos . Fui um dos inúmeros que estiveram lá. Confesso que, num dia como esse, entendo o quanto sou apaixonado pela posição!

Ser goleiro é também uma arte. É saber que, mesmo com tamanha responsabilidade, você tem seu show à parte. Que tem a missão de abrilhantar com suas defesas  um esporte que tem como objetivo o ataque, o gol.

E, ainda hoje, tenho isso no coração. Não vacilo em aceitar convites para bater minha bolinha com a equipe de Masters do São Paulo F.C. e voltar um pouquinho no tempo para sentir as mesmas emoções.

Goleiro, uma profissão com arte e paixão!

 

 

 

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2 comentários

  1. Avatar

    Só quem já vestiu um par de luvas tem autonomia para falar da posição, o resto é balela, parabéns Bonequini!

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