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O PUBLICITÁRIO QUE VIROU ARTE

Me chamo André Bessell e qualquer semelhança com a margarina famosa não é mera coincidência: também não faço mal aos corações. Sou paulistano, mas moro atualmente em Joinville, tenho 62 anos muito bem vividos e faço orgulhosamente parte daquela espécie em vias de extinção (ou já extinta) dos publicitários jurássicos que não conseguiram parar de trabalhar.

Prefiro uma Bahma gelada num boteco de esquina a uma cervejinha artesanal bebericada em um balcão destas novas barbearias chamadas Confraria. Não troco uma boa coxinha por nenhum barco de sushi, a não ser que o cliente pague. Comecei a trabalhar na saudosa década de 1970, quando o Pink Floyd começava a assombrar e todos nós ainda achávamos que a separação dos Beatles não passava de um mal entendido entre Yoko e Paul.

Comecei como todo mundo começou na época: um relés estagiário esquecido num canto de uma gráfica no paulistano bairro da Moóca. Virei arte finalista, assistente de arte, diretor de arte júnior, sênior, até chegar à glória: Diretor de Criação em grandes agências. Mas, no resumo do resumo: foram mais de 30 anos de muitas noites em claro, turbinadas por muita pizza fria, Coca Cola quente e nos intervalos, um sem número de Lexotans para espantar o sono e nos preparar para as próximas concorrências malucas, sem briefing e sem prazo.

Tirei a sorte grande de ter trabalhado, entre muitas outras, em 4 das maiores agências brasileiras e também de ter começado na época áurea das duplas de criação, – para quem não sabe, eram dois profissionais que espantosamente, trabalhavam um de frente para o outro, conversando, trocando idéias e acima de tudo, dividindo cervejas, piadas e trocadilhos infames.

Mas, o tempo passa e acabei voluntariamente me transformando naquilo que quase todo diretor de arte sonha em ser: artista plástico. Revisando meu passado, enquanto a maioria dos garotos e garotas sonhavam em ser Jimmi Hendrix ou Janis Joplin, eu queria mais é ser um Andy Warhol, só que mais bonito, claro, 0u então nada menos que um Salvador Dali, mas sem aquele estranho bigode. Mas o que eu queria mesmo não era a glória da fama, mas deixar na poeira do tempo os briefings e brain storms, e principalmente, queria ser meu próprio cliente, mandar e desmandar naquilo que eu criava: isto sim, era o que mais me excitava.

Bem, neste exato momento,  digitando estas bem traçadas linhas deste blog, confesso que vivi, e com muita persistência, muito rock e blues tocado na vitrolinha, confesso que cheguei lá: não me tornei nem Andy Warhol nem Salvador Dali, mas consegui a façanha de criar sem a supervisão de clientes.

Minha técnica pode ser chamada de mista, um pouco de bico-de-pena, um pouco de pastel, caneta hidrocor e um monte de computação gráfica e como inspiração, minha busca pelo desconhecido, tentando descobrir o que existe por trás das portas da percepção. Fiz caóticos testes de estilo e como bom publicitário, planejei e tracei algumas estratégias, logo esquecidas e substituídas pelo mais puro instinto. Apresento alguns exemplos mas se vocês quiserem conhecer um pouco mais www.andrebessell.com.br

Meus contatos ; 47 99946 3530    andrebessell@uol.com.br

Sobre André Bessell

André Bessell

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