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AS BARREIRAS PARA DIZER “NÃO”

Pessoas com dificuldades para dizer “não” sentem o mesmo para mudar este hábito por razões diversas. Mudar é trabalhoso e requer extrema convicção disto, associado à persistência e disciplina. Há as que insistem em mudar os outros, acreditando que seja mais fácil do que a si próprias, o que denota uma insensata pretenção e uma visão obliterada da subjetividade humana.

Pode-se inferir algumas razões que impossibilitam o sujeito em dizer “não” a outro. Uma delas se refere ao medo da reação deste outro, de decepcionar o desejo alheio. Este temor pode estar fundamentado na própria dificuldade que o sujeito tenha de dar conta daquilo que lhe é negado. Ou até mesmo sofrer retaliações por parte daquele a quem ele disse “não”.

Outro aspecto que pode obstaculizar o sujeito em dizer “não” é o sentimento de culpa. Pessoas habituadas com “sim” demonstram insatisfação, tristeza, decepção com quem lhes negou algo, provocando, como consequência, culpa no sujeito emissor do “não”.  O outro, inconformado com a negativa que lhe foi imposta, protagoniza o papel de coitado, injustiçado, demonstra tristeza e decepção, aos moldes da chantagem emocional, com o objetivo de semear culpa naquele que nega e reverter o negação que lhe foi atribuída.

Os primeiros anos de vida do sujeito e as formas de relacionamento parental determinam também as atitudes deste, tanto em dizer “não” como ouvir o mesmo. Pais extremamente permissivos com seus filhos, pouco castradores, os induzem a tornarem-se adultos egoístas com baixa tolerância a receber um “não” de terceiros. Esperam ser gratificados em todos os seus caprichos, com diminuta propensão a receber “não” e/ou retribuir com “sim”.

Um ingrediente que influi na disposição em dizer “não” é a  vaidade. Esta se manifesta em diversos contextos do nosso cotidiano, principalmente naqueles em que o exibicionismo é a tônica por busca de admiração. O sujeito busca promover sua imagem de generoso ao se limitar a dizer “não”, com vista a despertar olhares de idolatria. Busca dizer “sim” ao maior número de pessoas possíveis, convencido de que, por esta via, promoverá um conceito positivo em meio ao seu círculo social, receoso de ser rebaixado moralmente e/ou rejeitado por este.

Uma vez que o sujeito se engaje efetivamente numa mudança de comportamento, algumas estratégias podem ser adotadas para capacitar-se a dizer “não” de forma gradativa e encorajadora. Inicialmente pode-se proferir um “não” às pessoas distantes, sem vínculo afetivo, ou seja, àqueles que não sejam tão difíceis em negar algo. Expressões como “vou ver o que posso fazer”, “pensarei no assunto” ou qualquer outro tipo de desculpa, talvez seja suficiente para que o outro se aperceba de que sua demanda não poderá ser atendida.

Numa etapa mais avançada, o indivíduo ousa, junto às pessoas mais próximas, a dizer “não” de forma mais gentil. Importante sublinhar a forma como nos expressamos, dado que muitos são os episódios em que o sujeito, alvo do “não”, pode ofender-se, não tanto pelo o que lhe é negado, mas pela maneira como.

Assim, o sujeito, mais seguro de sua posição quanto a suas escolhas e pessoas a quem deve servir e agradar, apercebe-se mais assertivo, pragmático e categórico em recusar, discordar de situações geradas por terceiros, tendo claro que, aqueles mais ofendidos não lhe interessam. Isto porque, pessoas que subestimam o direito de defesa dos interesses alheios, não são propriamente legítimas de amizade, ou, sequer, um relacionamento minimamente possível.

O sujeito, dotado de razoável senso de justiça, não pende para nenhum lado da balança. Não pretende ser generoso, nem egoísta. Deseja ser e parecer justo. Portanto, assegurado quanto a esta posição, imparcialmente reconhece os próprios direitos e o do outro, e assim, determina em que contextos e contingências, ele deve acolher ou rejeitar demandas externas.

Sobre Marco Túlio Silva de Oliveira

Marco Túlio Silva de Oliveira
Psicólogo Clínico e Psicanalista CRP 06/113235 Tel: (11) 97044-0111

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