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Brindemos ao Verão

Caros leitores, o Brasil é um país tropical onde faz muito calor no verão e os amantes de vinhos acabam sofrendo um pouco na hora de degustarem nossa bebida preferida e é por isso que estou aqui para ajudá-los com algumas dicas de vinhos para essa estação.

Vinhos ideais com temperatura mais quente , precisam ser necessariamente bebidas que refresquem o paladar e harmonizem com comidas mais leves e é aí que entram espumantes, vinhos brancos , rosés e até tintos de corpo mais  leve, mais frutado sempre servidos a uma temperatura mais fresca.

Tradicionalmente, é no verão brasileiro que aumenta a venda e consumo de espumantes em nosso país , pois combinam perfeitamente com praia, momentos à beira da piscina, happy hour de fim de tarde com os amigos e aquela bebida refrescante para um jantar numa sacada gourmet, além de possuirmos grandes produtores nacionais com reconhecimento internacional de qualidade. Quanto aos espumantes , podemos dizer que basicamente temos 3 diferentes processos de fabricação , são eles :

– Champenoise – método mais antigo e mais tradicional, onde uma segunda fermentação ocorre na garrafa.

– Charmat- método mais recente em que a segunda fermentação das uvas ocorre em grandes tanques de inox com temperatura controlada) .

– Asti – método que usa basicamente a mesma técnica do Charmat, porém com apenas uma fermentação e exclusivamente feitos da uva Moscatel, onde a fermentação é interrompida antecipadamente para termos baixo nível alcoólico e mais dulçor no seu sabor.

As principais diferenças entre eles é que no método tradicional, a fermentação é mais lenta, com contato mais intenso e prolongado da bebida com as leveduras dando mais trabalho ao produtor, o que resulta num produto mais caro, porém com uma complexidade aromática muito maior, com sabores mais pronunciados de fermento, pães e brioche. O Charmat por sua vez, tende a produzir espumantes mais leves, florais e toques mais cítricos , sendo mais barata a sua produção, para o Asti vale a mesma colocação com o acréscimo do fator doçura e baixo teor alcoólico como destaque.

Falando em açúcar, temos depois a classificação dos espumantes quanto ao nível de açúcar em 6 diferentes tipos, indo desde Nature(o mais seco, com menos açúcar por volta de 3gr por litro), Extra Brut, Brut, Sec, Demi- sec e o Doce que contém mais de 60gr por litro.

A melhor harmonização para espumantes mais secos é a mais versátil podendo ser servido desde uma entrada, ou salada ou prato principal e até mesmo na sobremesa, tendo um leque de opções que vão desde peixes, massas, queijos , podendo até ser com carne vermelha. Já os espumantes mais doces, que fazem mais sucesso no paladar do brasileiro médio, harmonizam bem com frutas frescas como morangos, pêssegos , sorvetes , tortas e biscoitos doces.

Vamos falar agora dos vinhos brancos e rosés que são também excelentes opções para nosso verão.

Os vinhos brancos recomendados são basicamente feitos das uvas Sauvignon Blanc, Chardonnay e Chenin Blanc . Apesar de possuírem diferentes complexidades aromáticas, posso pontuar a citricidade e alta acidez da Sauvignon Blanc, a untuosidade e toques tropicais da Chardonnay , a mistura perfeita de aromas cítricos, untuosidade e leve mineralidade da Chenin Blanc . A temperatura de serviço desses vinhos deve ser entre 6 e 12 graus, com harmonização abrangente que vai desde saladas, pratos frios, queijos, massas leves, aves, peixes e frutos do mar.

Já os Rosés, estão super na moda e são igualmente versáteis na hora de se degustar. Feitos a partir de uvas tintas, existem diversas opções com diferentes complexidades aromáticas, possui o frescor e acidez dos brancos e um pouco dos aromas de frutas vermelhas que nos agradam nos tintos. Ele deve ser servido entre 8 a 10 graus de temperatura e vai bem com aperitivos, carnes brancas, frutos do mar, queijos de sabor leve ou simplesmente a tôa , só para se refrescar.

Tanto brancos quanto rosés , devemos procurar rótulos que sejam de safras mais novas, isso faz com que o vinho seja mais fresco, tenha uma coloração mais clara, seja mais ácido e consequentemente mais refrescante. Para os brancos e rosés de safras mais antigas, fogem um pouco da proposta de verão, pois o vinho se torna mais escuro, ou mais alaranjado, ganhando aromas mais complexos , perdendo em acidez e perdendo principalmente frescor, sendo recomendados assim para refeições mais elaboradas e pratos mais pesados e complexos.

Mas se você como bom enófilo não consegue se livrar do seu tinto de cada dia, não se preocupe, temos a solução. Devemos nesse caso, darmos prioridade para vinhos jovens, leves , de pouco corpo e baixo teor alcoólico. Vinhos feitos a partir da uva Pinot Noir e Gamay surgem como ótimas opções nesse caso, com muitos aromas de frutas vermelhas frescas, pouca madeira e taninos mais aveludados. Podemos inclusive nessa época do ano, servi-los a uma temperatura um pouco mais baixa do que normalmente (em torno de 12 a 14 graus), sem prejuízo da experiência gastronômica. A correta harmonização vai desde queijos amarelos diversos, carnes grelhadas e aquele hamburguer saboroso com molho barbecue feito na grelha da sua sacada gourmet.

Com tantas opções , possibilidades de harmonização e esse clima tão nosso, fica difícil deixar de lado nossa maior paixão, não é mesmo? Permita se conhecer os espumantes nacionais nessa época, temos excelentes opções no mercado e permita se principalmente experimentar novas possibilidades e combinações aromáticas.

Um grande abraço, saúde a todos.

Sobre Guilherme Siqueira

Guilherme Siqueira
Comerciante desde o berço, com formação jurídica, aficionado por basquete desde a infância e por vinhos desde a maioridade. Iniciou no mundo dos vinhos em cursos homologados pela ABS e ISG, é Certificado pelo Consejo Regulador dos Vinhos de Jerez , e graduado no nível 2 e estudante do nível 3 da WSET (Wine & Spirits Education Trust). Empresário, atualmente trabalha na parte comercial da Berkmann Wine Cellars Brasil, e é sócio em duas distribuidoras de vinhos nos estados de SP e Paraná.

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