Comportamento

Em tempos de paranoia delirante, eu sou da paz.

Eu sou hipocondriaco em nível paranóia. Não venha me falar sobre os sintomas de qualquer doença que imediatamente eu sentirei todos. Contraditoriamente só tomo remédios se for o último recurso. Fico sempre dois pés atrás em relação à Indústria Farmacêutica.
Então sou do tipo que segue à risca todas as recomendações para prevenir uma doença. Imagine o que tem sido a minha vida nessa pandemia do Coronavirus. Um verdadeiro inferno. Estou usando máscara até para dormir. Vai que em sonho eu fique a menos de 3 metros de distância de alguém.
Mas o que está me matando mesmo é o confinamento. Eu até gosto muito de ficar em casa e trabalhar home office não é uma novidade para mim. O problema é que, até mesmo em função do meu trabalho, fico ligado 24 hs por dia em todas as redes sociais e ao noticiário na TV.
O que me deixa transtornado, mais que o número de mortos e as falas grotescas do nosso presidente em relação à pandemia, são os idiotas. Gente que compra álcool gel ungido do Edir Macedo a R$ 500,00 e empresários como o Roberto Justus e o dono da rede de restaurantes Madero, dizendo que a vida de 5 ou 7 mil pessoas não vale o prejuízo que a quarentena poderia causar a economia.


O genial escritor brasileiro Nelson Rodrigues (1912-1980) disse que “Os idiotas vão tomar conta do mundo. Não pela capacidade mas pela quantidade. Eles são muitos!” Por sorte Nelson não viveu para ver confirmada sua profecia provocativa.
Parece incrível mas às vésperas da terceira década dos anos 2.000, podemos ver negros defendendo ideias nazistas, pessoas clamando por viver sem liberdade e, mesmo depois do homem ter ido à Lua e de satélites registrarem milhões de imagens do planeta, ouvir pessoas dizendo que vivemos sobre um disco de pedra.


Na verdade os idiotas sempre existiram, mas a internet lhes deu voz. Eles saíram do armário, perderam totalmente a vergonha de serem idiotas e, como são muitos, eles se tornaram uma potência mundial. Ditam tendências de mercado, criaram sua própria cultura e elegeram líderes escolhidos entre os seus.
Minha irritação com tanta gente idiota estava me fazendo muito mais mal do que o corona. Eu não conseguia aceitar a cegueira das pessoas em relação ao óbvio. A pandemia se alastrando rapidamente pelo mundo afora, matando milhares e milhares de pessoas e esse povo dizendo que tudo é uma armação da mídia esquerdista, uma jogada da China para conquistar o mundo, uma doença que só pega quem não tem fé.


Meu nível de stress estava tão alto que uma amiga veio chamar minha atenção. “Pare de contar mortos porque você não é coveiro”, disse ela. “E pare de tentar mudar o que não vai mudar. É hora de cuidar de você e das pessoas que você ama.”
E essa é a verdade mesmo. É hora de ser um pouco egoísta. As pessoas estão fazendo suas próprias escolhas e eu não posso impedi-las. O que eu posso fazer é continuar usando minha máscara, passando álcool gel em tudo e cuidando daqueles que eu amo.
Vou aproveitar meu isolamento social para mergulhar fundo nos meus projetos de trabalho, ler os livros que não dei conta de ler no ano passado e fazer cursos on line que vinha protelando há muito tempo, por falta de tempo.
Como disse minha amiga: “Tudo isso vai passar e nós temos que sair disso tudo melhor do que antes. Para isso precisamos nos blindar neste momento.”
Quanto aos idiotas… espero que sobrevivam e tenham a oportunidade de se auto-repensar. Se toda essa desgraça não servir para nos tornar melhor do que somos, nada mais o fará.

Dedicado à Claudia Mendonça.

#ficaemcasa #stayhome #lockdown

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Marco Antonio Andre

Marco Antonio Andre

Publicitário e Produtor de Conteúdo, especializado em Artes, Cultura, Design, Arquitetura, Decoração e Veganismo.

1 Comentário

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  • amorrr … fiquei emocionada de ler … você focando em você e nas pessoas que ama, nesse momento, é o melhor que pode fazer!! leia, estude, crie… o mundo precisa disso! te amo, meu amigo!