Cinema

O Poço, Um Filme Sobre A Sociedade e Sobre o Momento

“O Poço”, do diretor espanhol Galder Gaztelu-Urrutia, é um lançamento recente da NetFilx e estreou gerando muita polêmica nas redes sociais.
Favorecido em diversos aspectos pela quarentena que metade da população mundial vive neste momento, o filme já chegou chegando, bombando e a polarizando as opiniões nas redes sociais.


Na verdade, há duas formas de assistir “O Poço” (El Royo, no título original). Uma é assistir de forma totalmente despretenciosa e aí ele se transforma em um filme de terror e suspense, daqueles bem violentos. A outra é fazendo uma leitura subjetiva do roteiro distópico assinado por David Desola e Pedro Rivero, que nos leva a uma profunda reflexão sobre a construção da sociedade em que vivemos.
Mesmo na segunda opção, a violência impera porém não gratuitamente como é para os que assistem com os neurônios em stand by. E são muitos tipos de violência em um filme só, da privação da liberdade ao canibalismo.


A história acontece dentro de um presídio com 250 andares interligados por um poço central onde diariamente uma grande plataforma desce levando um rico banquete aos detentos. Obviamente os que estão nos primeiros andares comem do bom e do melhor, na quantidade que desejarem. À medida que a plataforma vai baixando, menos comida sobra sobre ela e para os prisioneiros dos níveis mais profundos não chega nada além de louças quebradas.


Mas assim como na vida, não há bem que perdure ou mal que para sempre dure, assim os prisioneiros são trocados de andares todos os meses e de forma aleatória. Durante os 94 minutos do filme nós, os expectadores, vivenciamos a realidade de diversos níveis acompanhando o personagem principal, Goreng (Ivan Massagué), um cidadão comum que entra voluntariamente no presídio para ficar 6 meses e conseguir assim um documento.
Cada prisioneiro pode escolher alguma coisa para levar para cela. Goreng leva um livro, o clássico “Don Quixote de La Mancha” de Miguel de Cervantes.


Há muitas metáforas em “O Poço”, seja nos personagens que o protagonista encontra ou nas situações que enfrenta. A analogia com a nossa sociedade é inevitável. O consumismo, a ganância, a religião, a indiferença dos governantes, o desprezo das classes superiores para com as inferiores, a violência… tudo está ali.
Impossível passar ileso por “O Poço”. Não importa se você vai amar ou odiar o filme, uma coisa é fato: Ele mexe com a nossa consciência e percepção, principalmente neste momento que o mundo atravessa onde nossas casas se transformaram em celas e onde as diferenças de níveis sociais geram situações dramáticas.


Mega recomendo.

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Marco Antonio Andre

Marco Antonio Andre

Publicitário e Produtor de Conteúdo, especializado em Artes, Cultura, Design, Arquitetura, Decoração e Veganismo.

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