Comportamento

O Mercado Pós-Pandemia (Parte 1)

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Falei sobre esse tema recentemente em uma live do Clube dos Caras comanda por Sandra Bessa. Quando fui convidado para essa live e quando soube qual era o tema, preparei até uma lista de tópicos mas é claro que os 60 minutos que o Instagram nos dá para isso não permitiu abordar todos os pontos. Daí a vontade de transformar em post.
Contudo, a tarefa de transformar todo o conteúdo em post mostrou-se impossível, mesmo me esforçando para ser o mais suscinto possível e sem mergulhar em análises mais profundas sobre cada tópico. A alternativa foi dividir o textão em 2 partes.
As colocações neste post são fruto de muito tempo de pesquisa sobre comportamento e mercado, base fundamental do meu trabalho como redator publicitário e produtor de conteúdo para canais digitais principalmente para o segmento de varejo e serviços. Muitos pontos são dados coletados nas principais agências de tendências do mundo e os muitos foruns e grupos de discussão com especialistas em análises de comportamento dos quais participo.


O NOVO NORMAL


Enquanto muitas pessoas sonham que, ao findar a pandemia, tudo volte ao nornal, muitas outras pessoas falam em um “Novo Normal”, uma realidade profundamente transformada pela pandemia e pela crise econômica mundial, levando as pessoas a repensarem seus hábitos, o consumo, as relações com o outro e com o meio ambiente, etc, etc e etc.
Eu realmente acho que viveremos um Novo Normal mas não em função da crise e da pandemia. Essas mudanças de comportamento, as mudanças sociais e até mesmo as mudanças políticas vinham se desenhando já há alguns anos e foram aceleradas por este momento tão singular na história contemporânea.

A primeira pergunta que a Sandra fez na live foi: “Como ficará o mercado logo após a pandemia?”. Bem, não precisa ser um grande especialista para imaginar que o mercado sofrerá uma grande retração. Em primeiro lugar porque teremos um grande número de pessoas sem dinheiro, seja pelo desemprego ou pela escassez de trabalho para os profissionais liberais e autônomos de diversos segmentos.
Em segundo lugar teremos uma mudança de comportamento de consumo muito grande. Um texto publicado no site da WGSN (uma das mais importantes agências de tendências do mundo) fala que “as pessoas isoladas diminuem o consumo de supérfluos…. gerando uma onda de anti-consumismo”. Essa onda anti-consumismo terá impacto diferente sobre todos segmentos, com maior ou menor intensidade, mas ninguém passará ileso.


QUEM GANHA E QUEM PERDE NO MERCADO PÓS PANDEMIA


O segmento mais impactado em um primeiro momento será o Turismo. Nos próximos 2 anos pelo menos as pessoas viajarão muito menos, principalmente para o exterior. Isso afetará as companhias aéreas, redes hoteleiras, agências de viagens e, principalmente em cidades que vivem do turismo, restaurantes e lojas, além de uma infinidade de outros serviços relacionados.
O segmento de arquitetura, movelaria e design de interiores no entanto deverá ser um dos mais beneficiados. A casa será a prioridade depois da experiência do isolamento. As pessoas buscarão melhorias para suas residências ou mesmo a construção de uma nova, mais adequada às novas necessidades tais como espaços para trabalho (home office), academias particulares, áreas de lazer e espaços de convivência como a sala de estar multifuncional e cozinha/espaço gourmet.


Muitos estarão pensando também em uma segunda casa em uma chácara ou condomínio fechado, onde possam garantir mais liberdade e segurança para suas famílias em situações como esta que estamos atravessando.
Os segmentos de moda e beleza também deverão sofrer perdas significativas. Em contra-partida tudo o que for relacionado à alimentação saudável, saúde e bem estar deverá crescer em importância. Bem como os produtos e serviços para uma vida on-line e de atividades remotas.
Acredito também em uma grande mudança nos segmentos que envolvem agrupamento de pessoas: Restaurantes, bares, baladas, shoppings e supermercados. Enquanto não surgir a cura ou vacina contra o coronavírus, grande parte das pessoas não se sentirão seguras para frequentar lugares onde não possam ter o distanciamento social. Reduzir o número de atendimentos para garantir que haja espaço entre as pessoas sem mexer no preço dos produtos é uma matemática bastante difícil.

No Novo Normal as pessoas estarão preocupadas também com o impacto de seus hábitos de consumo sobre a sociedade e o meio ambiente. Esse senso de coletividade e a “crise de confiança” criadas durante a pandemia devem permanecer e levar a uma maior cobrança sobre o papel sócio-ambiental das empresas, marcas, produtos e serviços. Vamos viver a era do Produto com Propósito.
O grande desafio da Indústria e do Comércio será a mudança de visão e postura. Não poderão continuar a olhar o cliente como parte de uma massa consumidora. O consumidor não existe mais. Agora é a vez do indivíduo, detectar e entender cada um em seus desejos e necessidades específicas.

Os conteúdos dos artigos publicados são de inteira responsabilidade do(s) autor(es), não refletindo, necessariamente, a opinião do corpo ou do conselho editorial do blog.
Marco Antonio Andre

Marco Antonio Andre

Publicitário e Produtor de Conteúdo, especializado em Artes, Cultura, Design, Arquitetura, Decoração e Veganismo.

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