Comportamento

O Mercado Pós-Pandemia (Parte 2)

Como eu disse no texto anterior, a maior parte das mudanças que acontecerão no mercado não serão causadas pelo Covid-19. Elas estão sendo potencializadas pela pandemia e também pela crise econômica mundial (esta também com suas origens muito anteriores ao surgimento do vírus).
Citarei aqui algumas dessas mudanças que você certamente já tinha ouvido falar há algum tempo:


CONSUMO SUSTENTÁVEL

Todo mundo já tinha ouvido falar antes em Consumo Sustentável, não é mesmo? Pois é, essa tendência que tem suas raízes na década de 1970, vem crescendo e ganhando espaço nos últimos 40 anos à medida em que os efeitos da indústria e dos hábitos de consumo sobre o meio ambiente e nossa qualidade de vida forma aumentando.
Na pandemia estamos reaprendendo a cozinhar, nos importando cada vez mais com a origem dos nossos alimentos e os efeitos que eles têm sobre a nossa saúde.
A preocupação com a Vida do Produto, da sua origem ao pós-descarte já vinha orientando cada vez mais o processo de escolha do clientes nos mais variados segmentos. Produtos orgânicos (sem agrotóxicos), com certificação ambiental, não testados em animais, que não utilizam trabalho escravo, que tenham embalagens recicláveis ou biodegradáveis são cada vez mais comuns em supermercados e, mesmo custando mais caro algumas vezes, são preferidos por um número crescente de pessoas.


MODA SUSTENTÁVEL


Também seguindo a filosofia do Consumo Sustentável, a indústria da moda já vinha sendo obrigada a se reinventar. Peças com baixa ou nenhuma pegada ambiental e tecidos orgânicos já são uma realidade nos grandes magazines. O conceito de Guarda-Roupa Cápsula (ter menos peças e que combinem em muitos looks) também vem ganhando cada vez mais adeptos.
Outro segmento que vem crescendo (tardiamente) no Brasil é o de brechós. Comprar roupas de segunda mão vem ganhando cada vez mais adeptos. Aplicativos como o Enjoei permitem comprar e vender roupas em negociações diretas, sem a necessidade de atravessadores.
Estamos aprendendo também que não precisamos de um guarda-roupas gigantesco. Peças mais práticas e confortáveis são a nova prioridade.


COMPARTILHAMENTO


A vida em isolamento social está nos propiciando a oportunidade de repensar também nossas necessidades de deslocamento. As facilidades e o conforto do comércio on-line resulta em melhores negociações de preços, reduz as compras por impulso, tira carros das ruas e reduz a emissão de gazes na atmosfera, entre muitos outros benefícios.
Outra mudança significativa de mercado que já vinha acontecendo há alguns anos está relacionada à palavra COMPARTILHAMENTO, que na minha opinião é o conceito mais revolucionário dos últimos 50 anos. O conceito de compartilhar também tem suas raízes nos primeiros anos da década de 1970, com o movimento hippie, subvertendo o conceito de propriedade.
Com o passar dos anos esse conceito foi evoluindo e, apesar de ter uma inspiração comunista, vem moldando uma nova forma de capitalismo, independente de questões políticas. Quem nunca usou um Uber, a maior frota de táxis do mundo e que não tem um único carro? Quem não ouviu falar no AirBnB, a maior rede hoteleira do mundo e que não tem uma cama? Essas são apenas dois exemplos de empresas que se baseiam na filosofia do compartilhamento e que mudaram definitivamente o conceito de mobilidade e de propriedade.
Eu não dirijo, portanto nunca tive carro, mas conheço dezenas de pessoas que venderam seus carros, alugaram suas vagas de garagem e circulam usando aplicativos como o Uber. Colocando na ponta do lápis, essa é uma opção muito mais econômica e prática.
Essa filosofia também inspirou o surgimento dos Coworkings, escritórios compartilhados que atendem as necessidades de profissionais liberais ou de profissionais em trânsito, livrando-os dos custos e outras demandas de ter um escritório próprio e fixo.
Moradias compartilhadas (Flatsharing) também já são uma realidade em todo o mundo. Uma evolção das antigas repúblicas estudantis, elas hoje são uma alternativa não só para o público jovem mas também para idosos e profissionais que precisam de pontos de apoio em mais de uma cidade. E para quem quer o melhor dos dois mundos, casas e apartamentos com área privativa reduzida e áreas de lazer e convivio compatilhadas também já são uma opção no mercado imobiliário.


O CAPITALISMO ESTÁ MORTO. VIVA O NOVO CAPITALISMO.

Sim. O velho capitalismo já vinha cambaleando há algum tempo e não é exagero dizer que ele morreu agora, com a pandemia e a crise econômica mundial.
Por outro lado, um enorme leque de opções se abre com esse Novo Capitalismo. E o que mais me empolga nisso tudo é a capacidade das pessoas de se reinventarem e criar soluções para situações absolutamente novas. Cada vez mais, esse é o segredo para estar no mercado.
Para os meus clientes eu sempre digo que a informação é o maior capital. Estar atento aos sinais e se antecipar às necessidades dos seus clientes não é ofício fácil mas é muito compensador.

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Marco Antonio Andre

Marco Antonio Andre

Publicitário e Produtor de Conteúdo, especializado em Artes, Cultura, Design, Arquitetura, Decoração e Veganismo.

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