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Filmes da Quarentena: Velvet Buzzsaw

Se tem uma coisa que essa quarentena prolongada vem me proporcionando é colocar em dia a leitura e ver muitos filmes. Apesar das livrarias e cinemas fechados.
Antes da pandemia e já tinha uma montanha de livros aguardando a vez para serem lidos. E quanto aos filmes, a Netflix e o Now tem ajudado muito a enfrentar esse período do #fiqueemcasa.
A lista de bons filmes na Netflix é imensa mas o sistema de busca da plataforma é um horror. Graças aos deuses conto com a preciosa colaboração de amigos cinéfilos que caçam esses filmes e me indicam só os melhores mesmo.

Acabei de ver na Netflix o filme “Velvet Buzzsaw”, escrito e dirigido por Dan Gilroy e estrelado por Jake Gyllenhaal, Rene Russo, Toni Collette e John Malkovich. Excelente!
Classificado erroneamente como um thriller (o que pode decepcionar os fanáticos do gênero), este filme é na verdade uma grande paródia ao mundo das artes, inteligentemente pontuada com humor negro e boas doses de suspense.
“Velvet Buzzsaw” é uma vingança das artes sobre aqueles que fazem dela um comércio fútil, vil e criminoso.

A arte em sua essência ocupa um espaço oposto ao do capitalismo. Os verdadeiros artistas não criam pensando no valor de mercado. No mundo das artes plásticas esse trabalho sujo é feito por marchands, galeristas, consultores e críticos de arte. E na maioria das vezes vampirizando os artistas.
O roteirista e diretor Dan Gilroy, bebe em fontes como a de Robert Altman e faz uma grande sátira a esse universo contando a história de um artista recluso e visceral, que usa seu próprio sangue para produzir centenas de telas acumuladas em seu apartamento. Sem parentes, ao morrer ele pede que suas obras sejam destruídas.

Antes que isso aconteça, suas obras são descobertas por Josephina (Zawe Ashton) ambiciosa funcionária de uma galeria de arte, que vê nos trabalhos do misterioso artista falecido uma grande oportunidade de fazer fama e enriquecer no mercado das artes.
Ela acaba dividindo seu “achado” com o crítico de arte Morf Vandewalt (Jake Gyllenhaal) e a influente galerista Rhodora Haze (Rene Russo), esta que no passado foi uma ativista punk e tinha o apelido de Velvet Buzzsaw (algo como Motoserra Aveludada), nome tatuado em suas costas.
As obras do artista misterioso causavam grande fascínio em todos que as viam. Mas no entanto trazia a morte para todos que tentavam possuí-las. Isso fica claro logo de cara com o trágico fim de Bryson (Billy Magnussen) e Gretchen (Toni Collete), respectivamnte um funcionário da galeria de Rhodora e uma consultora de arte.

Não por acaso a história se passa em Miami, cidade que abriga a Art Basel, o maior evento de arte contemporânea do mundo e por onde desfilam os grandes comerciantes de arte.
A estética do filme é super vanguardista e glamurosa. Figurinos e cenários refletem bem o estilo de vida dessas pessoas que vivem da exploração do trabalho de artistas e constituem esse mercado com pouca ou nenhuma ética.
O estrelado elenco faz atuações propositalmente caricatas. Jake Gyllenhaal está ótimo interpretando o afetado crítico. Prestes a completar 40 anos, o ator consagrado em Brokeback Mountain exibe um físico invejável, devidamente explorado em algumas cenas de nudez.
Há várias metáforas interessantes em “Velvet Buzzsaw”, sendo a principal delas o sangue usado pelo artista misterioso em suas telas, mostrando o sacrifício por trás do ofício da arte. Outra metáfora está na morte pela própria ganância daqueles que operam o mercado de arte.
“Velvet Buzzsaw” não é um bom filme de terror justamente porque não é um filme de terror. Ele vale ser visto pelo o que le é de fato, uma crítica inteligente e de certa forma bem humorada sobre o glamuroso mercado das artes.

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Marco Antonio Andre

Marco Antonio Andre

Publicitário e Produtor de Conteúdo, especializado em Artes, Cultura, Design, Arquitetura, Decoração e Veganismo.

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