Cinema

O Tigre Branco, Filme do Ano

Filme Indiano, forte concorrente ao Oscar, mostra sem meias palavras as consequências do capitalismo sobre as classes mais baixas.

Devore ou seja devorado. A esfinge do capitalismo não tem enigmas para serem desvendados. Ela trabalha com a realidade nua e crua. Isso fica muito claro no longa indiano O Tigre Branco, de Ramin Bahrani, lançado em janeiro pela @netflixbrasil e que tem tudo para repetir a trajetória do coreano Parasita, que abocanhou todos os mais importantes prêmios do Oscar.

Não se deixe enganar pelo tom de humor ou pela ingenuidade e carisma do personagem principal. O Tigre Branco é um filme cruel, impiedoso.Cruel quando mostra sem nenhum filtro a pobreza e a riqueza, ou quando exibe sem meias palavras a relação entre aqueles que exploram e os que se deixam explorar por não verem outra alternativa ou por acreditarem que esse é seu destino. Impiedoso quando mostra essa mesma relação dentro dos núcleos familiares, tanto entre os ricos quanto entre os pobres. Impiedoso também quando mostra a corrupção entre os governantes, incluindo uma candidata que se diz socialista mas vive de extorquir propinas milionárias de empresários sonegadores de impostos.

O Tigre Branco conta a história de um menino que ganha esse apelido por ser mais inteligente que os demais garotos de sua comunidade. Em uma classe onde reina a miséria, a falta de comida e condições básicas de sobrevivência, alguém com inteligência seria tão raro quanto um tigre branco. Ele ganha uma bolsa de estudos em um colégio na cidade grande mas tem seus sonhos decepados pela avó, uma matriarca gananciosa que explora filhos e netos.

Quando ele cresce consegue ir trabalhar de motorista para a família rica que sempre roubou seu povoado. Com o tempo, cansado de ser humilhado, explorado e usado, começa a questionar seu destino e decide mudar sua história. Com uma sucessão de frases provocativas e repletas de conteúdo para reflexão, este filme é um verdadeiro soco na boca do estômago do capitalismo neoliberal, na política pseudo democrática e nas estruturas sociais vigentes.

O nosso Tigre Branco conclui que nas sociedades neoliberais quem nasce miserável só muda seu destino entrando para o crime ou para a política.

Apesar de ignorado pelo Globo de Ouro, O Tigre Branco é um filme obrigatório e surpreendente. Mega recomendo.

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Marco Antonio Andre

Marco Antonio Andre

Publicitário e Produtor de Conteúdo, especializado em Artes, Cultura, Design, Arquitetura, Decoração e Veganismo.